
Combatente das forças líbias aliadas a ONU
dispara a artilharia de um tanque russo contra tropas do Estado islâmico
em Sirte, na Líbia - 02/08/2016 (Goran Tomasevic/Reuters)
O sonho de criar um governo unitário, capaz de enfrentar a emergência do terrorismo e a crise migratória, se realizou apenas no papel, levando, ao invés disso, a uma descentralização política e administrativa, apesar dos esforços das Nações Unidas (ONU) e da comunidade internacional.
Do punho de ferro de Kadafi, a Líbia passou para um período de anarquia institucional, que atualmente opõe as forças do Conselho Presidencial liderado por Fayez al Sarraj — apoiado pelo Ocidente e pela ONU — às autoridades de Tobruk, no leste, sustentadas pelo comandante das Forças Armadas, Khalifa Haftar.
Tobruk e seu Parlamento não reconhecem o governo de Trípoli, nascido em dezembro de 2015, no Marrocos, e o definem como ilegítimo. E a disputa por poder se reflete também no campo de batalha. Um exemplo disso é a blitz de Haftar em setembro passado para tirar de milícias fiéis a Trípoli o controle de portos exportadores de petróleo.
Dois governos, golpes e terroristas — Também houve a recente tentativa de golpe na capital por parte de grupos ligados à Irmandade Muçulmana e guiados pelo ex-premiê Khalifa Al Ghwell. Central nesse contexto é o violento conflito com o Estado Islâmico (EI) em Sirte, cidade onde Kadafi foi morto.
Embora a parábola do grupo jihadista esteja em sua fase descendente, graças às milícias que a bombardeiam há meses com a ajuda dos EUA, muitos especialistas ainda temem que a Líbia possa se tornar uma nova Somália.
Além disso, o explosivo quebra-cabeças líbio ainda inclui organizações inspiradas na Al Qaeda em Benghazi, numerosos atentados contra civis, a tragédia dos imigrantes no Mediterrâneo e o drama dos deslocados internos. Essa é a herança deixada por aquele 20 de outubro de 2011, quando a Primavera Árabe encerrou a vida e o domínio de um dos ditadores mais cruéis e longevos do século 20.
(Com ANSA)
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