MAIS PERTO DO FIM - Renan Calheiros, o
todo-poderoso presidente do Congresso, na mira dos investigadores da
Lava-Jato: cada vez mais próximo do desfecho de Eduardo Cunha (Cristiano
Mariz/VEJA)
O encontro era quase sempre marcado em um hotel
discreto no Rio de Janeiro. Uma funcionária do Senado aparecia no
horário combinado, identificava-se por meio de uma senha previamente
acertada e recebia a coisa — às vezes em envelopes, às vezes em bolsas,
quase sempre em malas cheias, conforme o valor da propina acertado para o
dia. Valores que variavam de 250 000 a 1 milhão de reais. Era assim,
sem nenhuma sofisticação, que parte do dinheiro desviado da Petrobras
chegava às mãos do senador Renan Calheiros, presidente do Congresso.
Transações que somaram milhões de reais se repetiram por mais de uma
década sem que ninguém suspeitasse, financiaram campanhas políticas do
PMDB e, agora, fornecem pistas sobre a origem da fortuna acumulada pelo
presidente do Congresso. São esses detalhes, contados por um dos
delatores da Lava-Jato em depoimentos sigilosos prestados à
Procuradoria-Geral da República, que podem levar Renan a percorrer uma
trilha semelhante à de Eduardo Cunha.
Por
Thiago Bronzatto/Veja
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