
Geddel Vieira Lima - Marcelo Camargo / Agência Brasil
Brasília - Os remédios apreendidos com o ex-ministro
Geddel Vieira Lima (MDB) na cela em que está preso no Complexo
Penitenciário da Papuda poderiam causar a morte do emedebista se
ingeridos de uma só vez. A conclusão é de laudo do Instituto Médico
Legal (IML) enviado à Justiça do Distrito Federal.
A juíza da Vera de Execuções Penais, Leila Cury,
reproduziu trecho do documento em despacho publicado na terça-feira após
solicitar uma apuração sobre centenas de medicamentos encontrados na
cela do ex-ministro, sem que ele tivesse receita médica.
Geddel está preso desde que a Polícia Federal encontrou
em um apartamento em Salvador caixas e malas de dinheiro vivo, somando
R$ 51 milhões. A fortuna é atribuída ao ex-ministro.
"O ilustre perito signatário do laudo e seu aditamento
afirmou que 'se todas essas substâncias forem ingeridas em sua
totalidade (todos os comprimidos encontrados de todas as substâncias),
poderia causar a morte do periciando'", cita a juíza.
Os peritos informam que "alguns medicamentos possuem o
mesmo princípio ativo, e, por isso, podem ser potencialmente perigosos
se tomados em conjunto, a depender da posologia de cada um".
Outros transtornos potenciais levantados pelo laudo do
IML são "hepatite tóxica medicamentosa, insuficiência hepática,
insuficiência renal aguda, arritmia ventricular cardíaca (com potencial
evolução para assistolia), síndrome de Stevensjohnson, síndrome
convulsiva), hipersonia medicamentosa e insuficiência respiratória,
entre outros".
O jornal O Estado de S. Paulo revelou, no fim de abril,
que centenas de comprimidos haviam sido encontrados em posse de Geddel
na Papuda e que ele se recusara a passar por um exame pericial de
emergência, após ter sido visto com comportamento alterado por
funcionários do setor de saúde do presídio. Os agentes penitenciários
apreenderam centenas de comprimidos dos medicamentos antidepressivos,
contra insônia, tranquilizantes, analgésicos e para tratamento gástrico,
além de uma pomada.
A defesa de Geddel disse que os remédios foram
repassados a ele pela equipe médica do Centro de Detenção Provisória
(CDP) e que não procede que ele não possuísse autorização. "Os
medicamentos são preceitos e dados pela penitenciária", disse o advogado
Gamil Foppel à reportagem.
Na terça-feira, a juíza determinou que a direção do CDP
controle o acúmulo excessivo de remédios prescritos a Geddel, que está
preso provisoriamente. Ela também afirma que o político pode ter
necessidade de acompanhamento de psiquiatras.
"Embora Geddel não tenha sido submetido a exame
psiquiátrico e, em razão disso, não tenha havido qualquer conclusão
psicopatológica, resta inegável que a apreensão de diversos medicamentos
e em quantidades que extrapolavam as respectivas ingestões diárias,
requer cuidados, sobretudo quando uma das possibilidades resultantes de
eventual de ingestão concomitante seria a morte", anotou Leila Cury.
"Além do mais, o quadro comportamental apontado pela
equipe médica do CDP no sentido de que, ao ser abordado no dia dos
fatos, Geddel 'estaria se portando de maneira estranha em razão de o
mesmo estar sob efeito de alguns remédios', aliada ao conteúdo do laudo
psiquiátrico e seu aditamento sinalizam no sentido de que pode haver
necessidade de acompanhamento psiquiátrico."
A magistrada comunicou ao Ministério Público e à Ordem
dos Advogados do Brasil sobre a conduta de um estagiário do escritório
que atua na defesa de Geddel. Ele é apontado como responsável por
orientar expressamente o ex-ministro a não se submeter ao exame pericial
e psicopatológico de emergência, quando o flagrante ocorreu, em abril.
Ela afirma que ele agiu como alguém que "tenta impedir procedimento
médico que visa salvar vidas, por motivos religiosos".
(Por
Estadão Conteúdo)
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