sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Bolívia levanta dúvidas sobre caso de argentina resgatada após 32 anos. Ministro boliviano questiona hipótese de que mulher tenha chegado ao país por meio de traficantes de pessoas e permanecido forçadamente desde então

NA BOLÍVIA
 
 Polícia argentina divulgou que mulher foi resgatada após 32 anos vivendo forçadamente na Bolívia (Policia Argentina/Divulgação)

O governo boliviano questiona detalhes do caso da cidadã argentina que teria permanecido sequestrada por 32 anos até ser libertada nesta terça-feira 25. As informações foram divulgadas originalmente pela Gendarmería Argentina (guarda nacional do país), que informou ter recuperado a mulher, de 45 anos, em companhia de um filho de nove. Segundo o órgão, o caso seria de tráfico humano.

Nesta quinta-feira 27, Carlos Romero, ministro de Governo da Bolívia, convocou uma coletiva de imprensa para apresentar objeções à versão que se difundiu em veículos de todo o mundo. Romero negou que o caso envolva tráfico de pessoas e comentou que a mulher, cujo nome em nenhum momento foi revelado, trabalhava normalmente no país até então.

“Chama a atenção que uma pessoa que supostamente foi vítima de tráfico humano trabalhava há muitos anos no Mercado Central de Bermejo [cidade onde foi encontrada, na Bolívia] e tem um documento de identidade nacional. A princípio, a polícia está considerando a hipótese de que não se trata de um caso de tráfico de pessoas”, afirmou o ministro.

“O caso foi aberto em Durango, na Argentina, não há denúncia na Justiça boliviana. É uma situação sui generis. Em uma investigação não se pode descartar nada, mas as informações iniciais debilitam a hipótese de que se trata de tráfico de pessoas”, acrescenta Romero.

Veículos argentinos, como o jornal Clarín, apuraram que a mulher teria chegado à Bolívia com 13 anos, em um caso de tráfico humano, quando foi levada para um prostíbulo. Desde então, estaria vivendo em uma garagem, com seu filho, e sendo explorada em um bordel.

Embora fosse considerada desaparecida para a Justiça de seu país natal, o ministro levanta dúvidas de que a mulher estivesse em solo boliviano de modo forçado. “Nunca fui mencionado que ela esteve esse período na Bolívia contra sua vontade. Não foi explícita a maneira como ingressou no país, ainda que se diga ter sido de modo ilegal. Nunca procurou a Justiça para denunciar situação anormal”, finalizou.


(por:DiegoFreire/Veja.com.br)

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