
Verticalização da orla é um dos principais temas em discussão na revisão do Plano Diretor
O professor de Arquitetura da Universidade de Lisboa (Portugal) Gonçalo Canto Muniz entende que o processo de verticalização de construções na orla marítima, ideia defendida pelo prefeito Álvaro Dias para o novo Plano Diretor de Natal é “não democrático”.
Convidado pela Fundação Verde Herbert Daniel para participar do seminário “Natal Sustentável”, o professor lembrou, em entrevista ao programa Sem Amarras, da rádio Agora FM (97,9), que a permissão para construções maiores à beira-mar começou a ganhar força nos anos 1980, algo impulsionado pelo crescimento populacional e pelo incentivo ao turismo.
O professor menciona seu país, Portugal, como exemplo do que classificou como crescimento abusivo da orla. “Cada vez que você constrói em altura, você exclui pessoas e privilegia aqueles que podem comprar na primeira linha da costa. Esse processo que várias cidades já viveram e ainda insistem a repetir é um erro”, explicou.
O prefeito de Natal, por outro lado, apoia o projeto. Em visita à Câmara Municipal no mês passado, Álvaro Dias afirmou que a verticalização é uma forma de se “atrair novos investimentos, modernizar e melhorar o contexto da orla de Natal”. O prefeito também afirmou que “temos uma das orlas mais feias do Brasil” e que é necessário mudar isso. Ele também citou cidades que passaram pelo processo de verticalização, como Fortaleza, Recife e o Rio de Janeiro, como exemplo de prosperidade.
A verticalização da orla é um dos principais temas em discussão na revisão do Plano Diretor. Atualmente, o projeto segue em elaboração na Prefeitura do Natal. No momento, grupos de trabalho se reúnem para avaliar sugestões da população. A previsão é que a minuta seja votada no Conselho da Cidade no fim de novembro, para depois ser encaminhada à Câmara.
Em setembro, o presidente da Câmara, Paulinho Freire (PSDB), disse que, se o projeto não chegasse até setembro “ficaria difícil” para os vereadores analisarem o Plano Diretor ainda este ano.
(Por:AgoraRN)
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