
Petrobras perdeu maior ação trabalhista de sua história - AFP PHOTO / Mauro PIMENTEL
São Paulo - A Petrobras foi derrotada na maior ação
trabalhista da história da companhia. O plenário do Tribunal Superior do
Trabalho (TST) deu razão aos trabalhadores com um placar apertado: 13
votos a favor dos petroleiros e 12 ministros a favor da Petrobras.
A decisão saiu apenas com o voto de minerva do
presidente do Tribunal, ministro João Batista Brito Pereira. Segundo
fonte, a estatal deve recorrer com embargos de declaração no próprio TST
e, depois, deve ir ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Com Pereira, o tribunal concordou com trabalhadores que
pedem novo método de cálculo para benefícios previstos em acordo
coletivo firmado em 2007. A mudança deve causar impacto de R$ 15 bilhões
pelos pagamentos passados e ainda adicionaria R$ 2 bilhões anuais na
folha de pagamento da Petrobras. A empresa diz, porém, que não haverá
desembolso até que sejam esgotados os recursos na Justiça.
A votação foi acirrada desde o início da sessão, que
foi aberta pouco depois das 10h. Entre os ministros, houve até discussão
sobre o uso da vírgula no acordo coletivo da Petrobras, o que
atrapalharia a compreensão de como deve ser feito o cálculo de
benefícios e adicionais ao salário dos petroleiros. Ao votar, o
presidente Brito Pereira disse que não discutiria vírgulas, nem crases.
A interpretação de texto foi um importante argumento
usado nos dois lados do processo.
Trabalhadores defenderam que a redação
do acordo coletivo mostra que a conta para a remuneração extra pode
ignorar extras e adicionais que já estavam no salário - o que aumenta
expressivamente o montante a ser recebido pelos trabalhadores. Essa foi a
tese vencedora e que resulta em aumento salarial. A tese derrotada da
Petrobras, por sua vez, defendia que não havia dúvida de que os valores
estavam incluídos na conta e que, por isso, não haveria nenhum valor
extra a ser pago.
A vitória dos trabalhadores foi sustentada pelo
relatório produzido pelo ministro Alberto Bresciani. O magistrado usou a
Constituição Federal para argumentar que adicionais ao salário com
origem constitucional, como pagamento por periculosidade, insalubridade e
trabalho noturno "não podem ser incluídos na base de cálculo, para
apuração do complemento do rendimento". O ministro disse que a lei não
permite adicionar os valores "sob pena de ofensa aos princípios da
isonomia, da razoabilidade, da proporcionalidade, da realidade e pela
ínsita limitação à autonomia da vontade coletiva".
Votaram a favor dos trabalhadores os ministros Alberto
Bresciani, Mauricio Godinho Delgado, Walmir Oliveira da Costa, Kátia
Magalhães Arruda, Hugo Carlos Scheuermann, Augusto César Leite de
Carvalho, José Roberto Freire Pimenta, Delaíde Alves Miranda Arantes,
Cláudio Mascarenhas Brandão, Maria Helena Mallmann, Lelio Bentes Corrêa,
Luiz Philippe Vieira de Mello Filho e o presidente João Batista Pereira
Brito.
A favor da Petrobras votaram Maria de Assis Calsing,
Guilherme Augusto Caputo Bastos, Dora Maria da Costa, Márcio Eurico
Vitral Amaro, Ives Gandra da Silva Martins Filho, Alexandre de Souza
Agra Belmonte, Douglas Alencar Rodrigues, Bruno Medeiros, Alexandre Luiz
Ramos, Renato de Lacerda Paiva, Emmanoel Pereira e Aloysio Corrêa da
Veiga.
(Por
Estadão Conteúdo)
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