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O presidente Michel Temer — Foto: Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge,
denunciou nesta quarta-feira (19) o presidente da República, Michel
Temer, no inquérito dos portos. A acusação criminal foi apresentada no
último dia antes do recesso do Judiciário, que começa nesta quarta (20).
Em 16 de outubro, a Polícia Federal (PF) informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) ter encontrado indícios de que Temer e mais dez pessoas integraram um suposto esquema para favorecer empresas específicas na edição de um decreto sobre o setor portuário.
Após a divulgação do pedido de Dodge, o presidente Michel Temer
afirmou, por meio de nota, que "provará, nos autos judiciais, que não
houve nenhuma irregularidade no decreto dos portos, nem benefício
ilícito a nenhuma empresa".
Na denúncia apresentada nesta quarta, de 72 páginas, Dodge pede que
Temer seja condenado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de
dinheiro.
"As provas coligidas na investigação demonstram a existência de um pernicioso e perene esquema de troca de favores, cujo epicentro era Michel Temer, configurando um sistema institucionalizado de corrupção", diz Dodge.
A procuradora denunciou outras cinco pessoas por corrupção ativa e
passiva e lavagem, entre elas, o ex-assessor especial da Presidência da
República, Rodrigo Rocha Loures. A procuradora também pede a condenação
do amigo do presidente, o coronel aposentado da Polícia Militar João
Baptista Lima Filho.
A PGR pede que todos sejam condenados a pagar uma indenização por danos
morais de R$ 32.615.008,47, soma dos valores desviados.
Trata-se da terceira denúncia apresentada contra Temer no exercício do
mandato de presidente. Outras duas foram suspensas por decisão da Câmara
dos Deputados, a que acusou ele de organização criminosa para desviar
dinheiro de estatais e a denúncia na qual foi acusado de desvio no caso
da mala de R$ 500 mil recebida por um assessor de executivo da JBS.
A acusação formal foi apresentada a 12 dias do fim do mandato de Michel
Temer e, portanto, não haverá tempo hábil para o Congresso decidir se a
denúncia pode ou não ser analisada, como prevê a Constituição.
Em razão disso, Dodge quer que, a partir de 1º de janeiro, a denúncia
seja enviada à Justiça Federal de Brasília, a quem caberá decidir se
eles viram ou não réus.
O relator do caso, ministro Luís Roberto Barroso, deverá encaminhar a
denúncia para a primeira instância em fevereiro, após o recesso do
Judiciário.
Caso dos portos
O inquérito dos portos foi aberto em setembro de 2017 pelo
ministro Luis Roberto Barroso, do STF, para investigar o presidente
Michel Temer por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro.
O ministro atendeu a pedido do então procurador-geral da República,
Rodrigo Janot, após a delação de executivos do grupo J&F. Os
empresários denunciaram pagamentos de propina a agentes políticos, entre
eles Michel Temer e o ex-assessor dele, Rodrigo Rocha Loures,
envolvendo decreto editado por Temer.
Foram denunciados pela procuradora-geral da República:
- O ex-assessor especial da Presidência Rodrigo Rocha Loures;
- Os empresários Antônio Celso Grecco e Ricardo Mesquita, da Rodrimar;
- O coronel aposentado João Baptista Lima Filho e
- Carlos Alberto da Costa, da Argeplan.
Segundo a denúncia, Temer teria recebido valores por meio das empresas
Argeplan, Eliland do Brasil, PDA Administração e Participação LTDA e PDA
Projeto e Direção Arquitetônica. Ao todo, é apontada movimentação
indevida de R$ 32,6 milhões.
(Por Mariana Oliveira, TV Globo — Brasília)
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