
Ex-governador Sérgio Cabral - Giuliano Gomes / PR PRESS
Rio - A decisão de Sérgio Cabral de tentar um acordo de
delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF) ou com a
Procuradoria-Geral da República (PGR) foi confirmada neste domingo pelo
ex-advogado do governador, que disse ao UOL ter se afastado da defesa
por não compactuar com delações, "premiadas ou não".
Mais cedo, segundo informou o colunista Lauro Jardim no
jornal O Globo, o novo advogado de Cabral, João Bernardo Kappen, já
teria iniciado os contatos em busca de um acordo. Com isso, o
ex-governador pretende tentar sair da cadeia antes de cumprir 30 anos,
limite máximo previsto pelo Código Penal.
Com uma condenação a mais 14 anos de prisão em regime
fechado, em 3 de dezembro, a soma das penas do ex-governador atingiu 197
anos e 11 meses. Caso as sentenças sejam mantidas em instâncias
superiores - hipótese bem provável -, a progressão para o regime
semiaberto se torna praticamente inviável para o ex-governador.
QUEM FALTA
Quase todas as autoridades que dominaram a política e
os principais órgãos de Estado do Rio de Janeiro nos últimos anos já
estão envolvidas em processos ou presas. No segundo caso, estão, por
exemplo, ex-presidentes da Assembleia, como Jorge Picciani e Paulo
Mello, além do governador Pezão, claro. Seis membros do Tribunal de
Contas do Estado foram afastados e o presidente do órgão cumpre prisão
domiciliar. Em novembro, o ex-procurador-geral de Justiça Cláudio Lopes
foi preso, acusado de "blindar" a organização chefiada por Cabral, em
troca de propina.
Cabral poderia dar novas informações que ajudariam nos
processos de seus antigos "colaboradores" em esquemas de corrupção. No
entanto, isso não seria o suficiente para que o MP ou a PGR se
interessassem em lhe conceder algum benefício. Afinal, o ex-governador
ocupava um posto de chefia nos esquemas. Cabral, no entanto, poderia
oferecer agora informações capazes de comprometer membros do Poder
Judiciário no estado, que até agora passou incólume pela tsunami.
Cabral também teria a oferecer informações sobre a
compra de votos para que o Rio sediasse os Jogos Olímpicos, o que
interessa particularmente à Procuradoria-Geral da República, já que
envolveria autoridades federais. No período da candidatura da cidade do
Rio, a prefeitura era ocupada por Eduardo Paes e a presidência por Lula.
Outra área em que Cabral promete trazer revelações
importantes é a das obras para a Copa do Mundo. As obras do Maracanã já
lhe valeram uma condenação a 14 anos de prisão.
(Por
O Dia)
Nenhum comentário:
Postar um comentário