
General Edson Leal Pujol durante a solenidade de passagem de Comando do Exército - 11/01/2019 / Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O ministro do Supremo Tribunal Federal
(STF), Gilmar Mendes, se reuniu recentemente com o comandante do
Exército, general Edson Pujol. Oficialmente, o encontro era para
entregar a nova edição do livro do magistrado, Curso de Direito
Constitucional, mas na conversa o ministro aproveitou a oportunidade
para tentar desfazer a interpretação corrente, em boa parte estimulada
pelos generais que ocupam assento no Palácio do Planalto – Walter Braga
Netto (Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Augusto
Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) – de que há um complô em
curso para enfraquecer politicamente o presidente.
A conspirata, segundo bolsonaristas,
incluiria o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), o presidente da
Câmara Rodrigo Maia (DEM) e o ministro do STF Alexandre de Moraes, autor
das decisões judiciais que mais têm desagradado ao Palácio do Planalto.
O próprio Gilmar Mendes, que foi atacado em uma rede social pelo
vereador Carlos Bolsonaro após criticar o presidente por ter estimulado
cidadãos a fiscalizar hospitais e UTIs durante a pandemia, passou a ser
listado no rol de persona non grata.
O ministro, porém, acabou ouvindo o que
não queria. Segundo interlocutores que conversaram com o magistrado,
Pujol se alinhou à interpretação da caserna de que o Judiciário tem
extrapolado em suas funções. Mesmo entre os militares considerados mais
“institucionais” e avessos ao mundo político, como o comandante do
Exército, não foram bem assimiladas decisões de Moraes como a que vetou o
nome de Alexandre Ramagem para a diretoria-geral da Polícia Federal. A
ordem judicial que mais impressionou os fardados, no entanto, foi a
decisão do STF que impediu o presidente de decidir sobre políticas
relacionadas ao novo coronavírus.
Mendes explicou a Pujol cada uma das
decisões e procurou desfazer a interpretação de que o Judiciário seja um
opositor do Palácio do Planalto. Procurado, o ministro nega o tom da
conversa ocorrida na reunião. O comandante não respondeu ao pedido de
entrevista.
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